...Fauno, Flora e uma história triste

No inicio és só sensual,
Jóia a ser guardada.
Cresces e ficas maternal,
Tornas-te a cidade do futuro,
Na muralha, abrigado na barda,
Vivo, alimentado por amor puro
e quando me dás um filho
Tiras-me a vontade de rebeldia,
perco o fel e esqueço o trilho
Sou teu de noite e de dia…
Envelheces e ganhas poder
és auto proclamada rainha
De um reino, sem o merecer…
Porque uma velha não precisa
Nem de homem nem de guarida;
segura pelo temor espalhado na brisa,
a quem mal te quiser abres ferida,
que mata qual mau-olhado,
tal é o poder de uma velha,
que vive sozinha o seu fado.
duas páginas do mesmo livro;
eu sou simples e carnal,
tu és complexa e sensível,
a violência na minha tribo
não é par ao teu apurado mal,
que me vicia e deixa vulnerável.
Sentes e comunicas com mistério,
usas encantos e feitiços,
ludibriado não consigo ficar sério
perante os golpes pouco precisos.
Sou amante enquanto aceite
Depois sou expulso do teu burgo
És tirana mas queres-me afoite
És a cabala da qual não me purgo