Das mulheres…

…essa substancia de que são feitas
viscosa mas atraente,
seiva de um pinheiro ferido,
que me faz ficar doente
de tanto querer, sou colhido...
…tiras de couro duras e estreitas
infectam a carne a terra e os sonhos
e contra isto não há emenda…
desinfecta com álcool de medronhos
deixa arder e aperta a funda fenda...
…essas tempestades que varrem
as planícies de onde não podemos fugir,
este mar fundo que não deixa ancorar,
onde fazemos frente ao céu a rugir,
no convés, sem abrigo onde chorar...
…essas arpias que nos querem,
a acreditar que chorar não podemos,
a crer que sentir não devemos,
se assim fosse não seríamos homens!
Pois sou homem que choro e sinto.
Haverá maneira de lhes responder?
Não virar a cara quando chove,
oferecer o peito ao tornado,
nunca esconder o que nos comove
e sem lamentos, aceitar nosso fado.
Não as vamos culpar nem ofender,
seria perder a honra no final,
ao tombarmos deixamos a lição,
não somos nós gado nem vós zagal,
e esta é só mais uma guerra sem razão...
…as mulheres são os seres mais violentos, porque despedaçam qualquer barreira… e isto não terá sido dito por um romântico ou por um general deste conflito primal, mas pelo coveiro que enterrava os homens destroçados…